O lago, soneto de Narcisa Amália

22 11 2023

Paisagem Rural com Espelho D’água e Casinha

Augusto Rodrigues Duarte (Portugal-Brasil, 1848 -1888)

óleo sobre madeira, 24 x 32 cm

 

 

O Lago I

 

Narcisa Amália

 

 

Calmo, fundo, translúcido, amplo o lago

longe, trêmulo, trêmulo morria,

No seu límpido espelho a ramaria,

curva, de um bosque punha sombra e afago

Terra e céu, ondulando, eram na fria

tela fundidos! O queixume vago

que a água modula, de ambos parecia

solto, ululante, intérmino, pressago!

“Trecho vulgar de sítio abstruso e agreste”

talvez; mas todo o encanto que o reveste

sentisse; contemplasses-lhe a beleza;

comigo ouvisse-lhe a mudez, que fala,

e sorverias no frescor que o embala

todo o alento vital da Natureza!

(1872)


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2 responses

22 01 2025
Avatar de carlos h carneiro carlos h carneiro

olá! não consigo achar este poema no livro “nebulosas”, editora landmark … nem em pdf’s que estão em forma de imagem, nas redes digitais…. confere? é mesmo dela este texto “o lago”?

22 01 2025
Avatar de peregrinacultural peregrinacultural

Carlos muitos dizem que se encontra no livro NEBULOSAS.

Veja só na revista Elfikurten.com.br

Mas ele aparece no livro Sonetos brasileiros, século xvii-xx; coletânea de Laudelino Freire, publicado em 1913,pela editora BRIGUIET, no Rio de Janeiro. Encontrado em PDF na internet.página sem número. Aliás um livro belíssimo. É possível que tenha sido um soneto publicado avulso, em jornal ou revista literária. Essa publicação pré data a morte da autora (1924), portanto deve ter tido autorização dela. Livro no Internet Archives, cortesia da Universidade de Toronto.

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